sábado, 24 de janeiro de 2009

Once

Once é simples, com personagens e enredo simples, mas que resultam num filme muito bom com uma banda sonora genial e imperdível.

Não procurem neste filme cenas hollywoodescas, efeitos especiais, imagens de grande beleza ou um universo idílico e embelezado; é um filme despretensioso cuja única ambição é contar a uma pequena história sobre dois personagens sem qualquer tipo de embelezamento da realidade.

Não é um musical, mas quase que o poderia ser porque, ao contrário de por ex.: Mamma mia!, aqui as músicas não entram à martelada ou caídas de paraquedas sabe-se lá de onde, elas discorrem naturalmente do filme, fazem parte dele e as suas letras são imprescindíveis para o desenrolar da história.

Esta película ganhou o óscar de melhor música original contra 3 canções de Enchanted, um filme muito banal da Disney e uma de August Rush, um filme simpático e bastante agradável de se ver e ouvir. Para mim que apenas não vi a totalidade o filme da Disney (ao que parece não perdi nada!), este é um prémio justíssimo.

Este filme, a par de Juno (mais um daqueles que todos devem ver!), são os filmes independentes do ano passado, mas ao contrário de Juno este não chegou às salas de cinema em Portugal. A pergunta é sempre a mesma: que raio de critério é este?


Once - John Carney (2006)

Vals Im Bashir

Mais um filme de animação, recentemente premiado com um globo de ouro, que versa sobre o eterno conflito entre Israel e os países árabes em seu redor.

Ari Folman conta na 1ª pessoa a sua experiência da 1ª Guerra do Líbano (1982) e dos Massacres de Sabra e Chatila; é um filme biográfico e de guerra que mostra bem a violência e violação de direitos humanos que os conflitos religiosos provocam.

Fui atraído para ver esta película com a impressão de que seria "na onda" de Persepolis (2007) e, de certa forma não me enganei, mas quanto a mim é inferior ao referido filme em vários aspectos.

Apesar de perceber muito pouco do assunto, acho o traço de Persepolis mais bonito porque é mais simples e consegue ser mais expressivo. Para além disto, a fluidez de movimentos dos personagens neste filme é um pouco estranha, até pode ser uma marca pessoal ou estilo do autor, mas não gostei particularmente.
Depois porque Persepolis consegue narrar e mostrar melhor a história (o recurso a marionetas é um bom exemplo disso).
Para além disto, acho que "Valsa com Bashir" perde alguma dinâmica de filme por assumir a dada altura quase um tom documental. O que por outro lado é uma característica marcante deste filme, diferenciando-o do outro.

Contudo gostei muito do filme, a animação é muito interessante e a história ainda mais. Filmes como estes dois que referi neste post parecem ser o surgir de um novo género dentro da animação; género esse que se distancia dos filmes da Disney, Pixar e outros por nos mostrarem oi mundo real e por acreditarem que a animação também pode e deve ser para adultos.


Vals Im Bashir - Ari Folman (2008)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Australia

Australia é um filme que nos leva até um continente longínquo, que nos mostra paisagens tão díspares como o deserto e o mar.

Este filme de aventura, que nos mostra a "empreitada" de Lady Sarah Ashley (Nicole Kidman) e de Drover (Hugh Jackman), é aquilo a que poderemos chamar de filme épico, à semelhança de "Gone with the Wind" (1939) , "Out of Africa" (1985) e "The Wizard of Oz" (1939). Aliás, a música deste último filme é marcante nesta película de Baz Luhrmann.

Um bom filme que merece ser visto, apesar de quanto a mim nunca atingir a criatividade e genialidade de "Moulin Rouge!" (2001).
O "pãozinho-sem-sal" que é Nicole Kidman faz uma boa interpretação, bem como Hugh Jackman que encarnou muito bem o personagem. Destaque para Brandon Walters (Nullah) que para primeiro filme está muito bem.

De salientar ainda neste filme a temática dos aborígenes e de toda a política racista, segregacionista e desumana seguida pela Austrália até 1973. Até esta data, um australiano branco poderia matar um aborígene sem que isso constituísse qualquer crime. Para quem quiser através do cinema saber um pouco mais sobre este assunto recomendo vivamente o visionamento de "Rabbit-Proof Fence" (2002).


quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Maratona Cinematográfica das Festividades

A época natalícia é sempre propícia ao visionamento de muitos filmes.
Este ano não foi diferente e, para ajudar o Pai Natal trouxe-me o H5N qualquer coisa de presente. Assim, depois de contribuir para o entupimento dum hospital local, aproveitei para ver várias películas.


Assim, entre 24 de Dezembro e 4 de Janeiro vi:

Over the Edge - Tim Johnson & Karey Kirkpatrick (2006)
Filme de animação bem simpático e ideal para a quadra vigente. Gostei de o ver, tens bons momentos de diversão combinados com algumas alfinetadas à nossa forma civilizacional. Bom filme ainda que não traga nada de novo ao género, tende a ser essencialmente um filme para a pequenada.


Vantage Point - Pete Travis (2008)
Filme com alguma originalidade cuja filmagem por certo terá requerido enormes cuidados e detalhes. A mesma história, a mesma cena é-nos mostradas de várias visões e ângulos de modo a através das partes depreendermos o todo. Apesar de não ser uma obra prima superou largamente as expectativas.

Before the Devil Knows You're Dead - Sidney Lumet (2008)
Perseguia este filme à muito, tentei vê-lo 3 vezes no cinema e acabei por vê-lo em casa. Este filme acompanha à vez 4 personagens durante os mesmos períodos de tempo, o que faz com que tenhamos por vezes partes de conversas repetidas durante o filme mas que nos são mostradas de outro plano. É um bom filme ainda que a espaços espastele um pouco.


Serpico - Sidney Lumet (1973)
Depois de ver
12 Angry Man (1957), também deste realizador, fiquei curioso para ver este filme; e devo dizer que não me desiludiu. Um grande drama, sobre um polícia incorruptível que luta contra todos os esquemas de extorção e corrupção vigentes na polícia Nova-Iorquina. Apesar de estar uns furos abaixo do filme de 1957, a todos os títulos genial e imperdível, este filme é também brilhante e conta com uma grande performance de de Al Pacino (nesta altura com uma voz muito estranha!).


Lemony Snicket's a series of Unfortunate Events - Brad Silberling (2004)
Já tinha viste este filme à muito tempo e esta foi uma boa oportunidade para o recordar. Divertido e com uma estética que a espaços se assemelha à de Tim Burton, é um bom filme de entretenimento que conta com um Jim Carey em bom plano.

Trainspotting - Danny Boyle (1996)
Uma viagem tresloucada pelo mundo da violência e da droga passada na Grã-Bretanha escocesa. Um filme violento, realista, cru e pouco polido, filmado de forma inteligente e interessante que fazem dele um dos melhores filmes que já vi. Foi uma surpresa ver o jovem
Ewan McGregor encaixar tão bem num papel deste tipo.


Charlie and The Chocolate Factory - Tim Burton (2005)
Confesso que já tinha visto este filme por 2 vezes e agora foi mais outra. Uma prestação brilhante de Johnny Depp, um filme repleto de criatividade e montanhas de chocolate sabem sempre bem rever.

007 Casino Royal - Martin Campbell (2006)
Mais um repetente. Vi o regresso em grande de 007 no cinema e, depois de ver a semi-desilusão que foi Quantum of Solace, soube muito bem recordar uma das melhores surpresas de 2006. Daniel Craig é um bond à minha medida, sem mariquices no martini e sem adornos nas vestimentas; esperemos que o próximo "Bond, James Bond" seja mais próximo de Casino Royal e menos da Triologia Bourne.

Barnyard - Steve Oedekerk (2006) Vs. The Incredibles - Brad Bird (2004)
Ora porquê 2 filmes juntos? e ainda por cima tão díspares em qualidade?
Porque estavam a dar à mesma hora em 2 canais de TV diferentes e eu comecei a ver um e acabei a ver o outro.
Escolhi ver o primeiro porque ainda não o tinha visto e arrependi-me amargamente; desisti logo no primeiro intervalo. Um filme de animação completamente intragável... a este sim chama-lo-ia de "apenas mais um filme de animação com animais". Optei então por recordar o filme do Sr. que entretanto também já nos trouxe Ratatouille (2007); The Incredibles é uma animação repleta de originalidade e com grande sentido de humor.

Click - Frank Coraci (2006)
Já algum tempo que tinha alguma curiosidade em ver este filme. Moderadas expectativas, resultam normalmente em agradáveis visionamentos pois apesar de não ser nada de especial o filme cumpre bem aquilo a que se propõe: divertir e dispôr bem.
Adam Sandler traz-nos um pouco mais do mesmo, parece que este actor não sabe fazer mais do que isto... talvez Reign Over Me me mostre uma faceta diferente, talvez ele consiga descolar um pouco dos papéis cómicos.


28 Days Latter... - Danny Boyle (2002)
Um bom filme de terror para animar, ainda que com alguns lapsos que me parecem demasiado infantis. Uma história bastante plausível, um enredo pouco forçado e uns zombies bem trabalhados colocam este filme na lista "a ver". Apesar disto, é difícil perceber o que vai na cabeça do realizador quando se vê algumas das personagens fazerem as coisas mais absurdas, coisas essas que por pouco não arruínam completamente o filme. Alguém no seu perfeito juízo, num mundo dominado por zombies noctívagos fotosensíveis decide atravessar um túnel, quando pode ir pela superfície?


Master and Commander: The Far side of the World - Peter Weir (2003)
Tinha com este filme uma relação de amor-ódio, pois apesar de ter ficado com algumas imagens e partes do filme gravados na memória, quando o vi no cinema não gostei. Não sei se é pelo facto de ter um pouco de biologia à mistura, de o filme ter uma faceta darwiniana, mas ficou retido na memória e agora, após novo visionamento, acho que é um bom filme e que mereceu de facto tantas nomeações para óscares técnicos.


The Constant Gardener - Fernando Meirelles (2005)
Mais um que ansiava por ver e que já me tinha sido recomendado por inúmeras pessoas. Mais um filme sobre as atrocidades que a humanidade comete em África; curiosamente tinha visto há algum tempo um documentário, também ele chocante, sobre a conduta da indústria farmacêutica no continente africano. Ralph Fiennes está muito bem e Meirelles parece ter um toque de Midas.

WALL·E - Andrew Stanton (2008)
Fui ver esta pérola ao cinema, mas não resisti a rever com o pessoal cá de casa. Este é provavelmente uma das melhores animações de todos os tempos, neste filme tudo foi pensado ao pormenor e o resultado final é soberbo. Espero sinceramente que não fique apenas pelo óscar de melhor animação que com facilidade ganhará.

Felon - Ric Roman Waugh (2008)
Este filme não estreou nos cinemas nem passou para dvd, basicamente passou ao lado do nosso país. Um bom filme de acção sobre um prisioneiro e os seus carcereiros corruptos.
Podia muito bem ter passado no cinema que para filme de acção até é bem interessante.

A maratona culminou com uma ida ao cinema para ver Australia de Baz Luhrmann, sobre o qual falarei posteriormente.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Notícia Curiosa

Saiu já quase há um mês, uma notícia que guardei para que, quando tivesse tempo escrevesse sobre ela. Esta é sobre os comentários de um ex-ministro adjunto do guterrismo acerca da balda generalizada dos deputados da assembleia da república (AR) numa 6ª-feira no início de Dezembro.

A notícia é maioritariamente composta por citações retiradas do blog de António José Seguro, pérolas essas que tentaremos interpretar e comentar.

O título da Notícia era "António José Seguro: "percepção de que os deputados são absentistas adensou-se"".
Discordo, toda gente sabe, e agora até pode ver, que aquela malta não falta ao seu trabalho, levam o jornaleco ou então dormem um soninho que faz sempre bem. Absentistas não, inúteis é provável.

Ele prossegue: “Entre Setembro de 2007 e Julho de 2008, a percentagem de faltas, justificadas e injustificadas, dos Deputados foi inferior a 9%, nas 109 reuniões plenárias efectuadas”.
Fantástico, qualquer empregador sonha em ter pessoas tão empenhadas. Ora vejamos, imaginemos que temos 100 deputados:

109 x 100= 10900 x 9%= 981 faltas

Primeiro, destaco o “elevadissímo” número de reuniões que ocorreram em 11 meses. De facto não se pode chamá-los de absentistas, se fossem 100 (não nos podemos esquecer que são mais do dobro!), em 11 meses, só se teriam baldado 981 vezes. Ok, algumas serão justificadas, mais que não seja à posteriori depois de estalar o verniz. Cá para mim, se fosse patrão deles dava-lhes um aumento.

Mais adiante, “Ora, os deputados ausentes (alguns em trabalho parlamentar) das votações correspondem a cerca de 20 por cento dos parlamentares. Pergunto: pode o Parlamento português ser prejudicado por causa de, no máximo, um quinto dos seus membros? A resposta é obviamente que não".
Obviamente? Esta malta é muito à frente.
Ora então eu só devo pedir contas a cada um dos deputados, ou será que também um correcto funcionamento da AR deveria impedir este tipo de acontecimentos? Será que já todos se esqueceram da balda generalizada aquando da viagem a Sevilha para ver um jogo de futebol? E já agora qual é a percentagem a partir da qual o Parlamento Português pode ser prejudicado? Uma coisa é certa, para o vosso empregador, nós, uma balda é o suficiente para nos sentirmos lesados.

Numa empresa com 1000 trabalhadores, se um dia faltarem 200 e noutro 100 e noutro 150, e nada lhes acontece, será isso um problema só desses trabalhadores ou haverá aqui alguma coisa na empresa que não está bem? Cá me parece que também a estes lhes daria um aumentozinho pelos bons serviços prestados.

Prosseguindo, "a responsabilidade não é do Parlamento, mas sim de cada um dos deputados que faltaram injustificadamente à votação".
Pois, cada um é responsável pelos seus actos, mas também me parece que deva ser dever da AR (ou do governo!) verificar quem cumpre com os seus deveres e tomar medidas contra quem não cumpre evitando passar a imagem de balda generalizada.

Para mim, o mais grave disto tudo é que, salvo honrosas excepções, todos os partidos se viram envolvidos nesta balda o que é bem o reflexo do estado da classe política em Portugal.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Lisbon Film Orchestra

Como podem ver aqui no bilhetinho, no dia 20 de Dezembro de 2008, tive o imenso prazer de entrar pela primeira vez no cinema S. Jorge e logo para ver algo que acredito que irá ficar gravado na minha memória para sempre (ou então até quando me der um ataque de alzheimer!).

Em relação à sala de cinema e ao edifício em si, confesso que, apesar de saber que era grande e imponente não esperava uma sala para mais de 800 pessoas (a rebentar pelas costuras no caso!) e de um edifício tão bonito em termos arquitectónicos (e que percebo eu disso? nada! mas os olhos acharam-no bonito e "prontos"!).

Em relação à orquestra, e ao espectáculo que executaram, posso dizer que foi absolutamente fantástico, um momento sublime que me deixou extasiado com tantas e tão boas mémorias que me proporcionou. Para além disto, há ainda que realçar o carácter estético de ver cerca de 80 músicos em movimentos que quase parecem coreografados.

A "Lisbon Film Orchestra" brindou-nos com 14 temas, mais um do que o previsto no programa e repetindo no final um dos temas já tocados. A ideia de fazer passar imagens e falas dos filmes antes da música começar é brilhante e faz a ponte de ligação do cinema para a orquestra.

Os temas Superman March (Superman, 1978), Raiders March (Raiders of the Lost Ark, 1981), Adventures on Earth (E.T., 1982), Imperial March (Star Wars, 1977) e Somewhere in My Memory (Home Alone, 1990) trouxeram à memória tantos serões, tardes e manhãs de infância, tantas brincadeiras e diversões, tantos momentos bem passados que quase me sentia de novo criança.

A lúgubre música do filme Schindler's List, na qual um violinista executou um solo de forma magistral, foi a menos condizente com a quadra natalícia mas ainda assim lindíssima e muito aplaudida.

As Músicas de Harry Potter's, Lord of The Rings, Pirates of the Caribbean e The Chronicles of Narnia não fazem parte do imaginário de infância e, alguns destes filmes nem são particularmente especiais mas, as suas bandas sonoras são ainda assim grandiosas. Destaque para a dos piratas que teve direito a "bis" graças aos insistentes aplausos do público.

Engraçado foi ouvir a banda sonora de Polar Express, filme que já vi e que não sendo nada de especial foi, segundo me constou, um marco no cinema digital de animação. Como adepto confesso do natal que sou, gostei muitíssimo deste tema, foi como se o natal e os seus sons tivessem acabado de chegar a Lisboa.

Este foi sem dúvida um dos serões mais bem passados de 2008, e caso este espectáculo volte em 2009 lá estarei para me deliciar com mais bandas sonoras de fazer sonhar miúdos e graúdos.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Bolt

Ora aqui está mais um comentário a um filme de animação. Tendo confessado a minha adoração pelo género da animação vou tentar ser um pouco mais objectivo.

O filme conta a história de um cãozinho que é criado exclusivamente num ambiente de série televisiva, não conhecendo outra realidade, e que por isso acha que é um super-cão. Ora, quando esta criatura um dia foge, embarca numa aventura repleta de peripécias engraçadas nas quais acaba por conhecer outras 2 criaturas muito particulares.

Apesar de ter gostado, sinceramente esperava um pouco mais deste filme, não tem muito de empolgante e também não trás nada de novo ao género. Assim, recomenda-se a quem gosta de animação pois o divertimento e a boa disposição estarão garantidos mas, para o comum dos mortais não me parece seja muito interessante.

Para mim houve ainda 2 aliciantes, um deles é o facto de ter uma pequena "Bolt-a" que se passeia aqui por casa e que, à parte dos mais variados disparates que faz quando a deixamos sozinha, é de facto uma criatura adorável. Assim, posso assegurar-vos que o comportamento do cão foi estudado ao milímetro e que, muitas das cenas de "cão normal" me levaram a pensar que estaria em casa.

Outro aliciante que me motivou para ir ao cinema ver este filme foi o facto de estar disponível em 3D, e devo dizer que também isso me desiludiu um pouco. Houve de facto uma cena com um spray que parecia que nos ia atingir, mas de resto foi quase como ver um filme normal em 2D, nada de especial.

Tendo em conta que paguei mais 1,50€ pela sessão, não me sinto lá muito recompensado, nem mesmo com estes óculos tão bonitos que agora figuram numa prateleira cá de casa.


Nota de Agradecimento

Serve este post para agradecer à nossa cicerone madeirense.

Querida "sherpa" um obrigado tamanho XXXXXL por toda a disponibilidade e simpatia com que nos recebeste e guiaste pela ilha e seus meandros. Em especial (sobretudo no meu caso!), obrigado pela paciência em nos aturares e acederes a todos os nossos pedidos e insistências em ir aqui, ali e acolá.

Finalmente, "muchas gracias" pois sem ti esta experiência seria muito mais difícil de se concretizar e, seguramente não teria sido tão enriquecedora.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Fotoresumo de uma estadia na Madeira

Primeiro foto de um vasto conjunto: Cristo-Rei do Garajau. Nota para a falta de originalidade, Portugal e Brasil já tinham a Madeira também quis.



Uma bela praia na zona do Garajau onde teria apreciado dar uns mergulhos tivesse eu tido essa oportunidade. Com uma lupa talvez consigam ver o indivíduo que por lá andava a nadar.



Curral das Freiras. Segundo reza a história, quando os piratas se aproximavam da ilha era para aqui que as freiras fugiam, no centro da ilha rodeado de montanhas e quase inacessível.



Vista para a Ponta de S. Lourenço. Este pequeno estreito de terra foi das coisas que mais gostei de visitar, é mesmo muito bonito. Contudo apressem-se a ir visitar porque já está a começar a ficar ameaçado pelo betão, está em construção um resort tamanho XL por aquelas bandas.



"Um postal" da costa norte da ponta de S. Lorenço. Bela caminhada que se fez, com paisagens impressionantes e de grande beleza. Só foi pena a caminhada ter sido tão curta e, para os mais utópicos, não se ter visto "um lobo marinho a dizer adeus com os bigodes"



Pico do Areeiro, um passeio acima das nuvens, uma experiência indescritível e inolvidável. Só tenho pena de não ter feito a pequena caminhada de 7 km que nos levava aos restantes picos que vemos acima das nuvens.



Porto Moniz e as suas belas piscinas naturais. A que se vê na foto é do hotel, mas também as há públicas e igualmente catitas. Foi pena a época do ano não ter sido a mais favorável, caso contrário saberia dizer se a água "estava boa de sal".



A gastronomia madeirense. Deliciem-se com a imagem que o meu estômago deliciou-se com as protagonistas dela. Para além das lapas (que até já tinha provado no continente!) devo chamar a atenção para o bolo do caco que é "de comer e chorar por mais" e foi responsável pelos milhares de gramas que acrescentei à minha massa corporal. Aliás, impunha-se aqui uma foto do "Prego especial em bolo do caco" que por 3 vezes comi num snack-bar todo janota, infelizmente esse delicioso repasto não ficou retratado para a posteridade (querida sherpa agradece-se uma foto dessa iguaria!).




Paúl da Serra, uma paisagem digna de (algumas cenas de) LOTR. O chato consegue os seus intentos e lá fomos até ao planalto da ilha da Madeira, onde encontramos umas vaquinhas a pastar e um frio de rachar. Para quem não sabe é comum esta zona ter neve e só muito raramente não está envolta em nevoeiro.





Aqui fica este resumo fotográfico, muito breve, pois muito mais haveria para mostrar e contar sobre a interessantíssima e recomendável ilha da Madeira que, como destino de férias está aprovada.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Crónicas de um voo para a Madeira

6h30 - Chegada ao T2. Bem cedinho, mais ou menos 45 min. antes do necessário. Entidade parental sonolenta mas satisfeita, dever cumprido, não há nada como ser hiper-previdente e chegar hiper-adiantado.
Que tal um café? Eu não bebo mas tudo bem, serve para acompanhar a conversa.

Altura de despedidas e de voltar ao carro para apanhar a trouxa.
ALERTA: Polícia à vista e de volta da viatura, qual abutre aos círculos sobre a carcaça.

Parece que é proibido imobilizar a viatura naquele estacionamento (para que servirá aquele parque de estacionamento!?!). Ok, no T2 carro não estaciona, despeja e segue viagem (perdem os srs. dos cafés!).
Agente da autoridade: Pois não se pode parar aqui.
Entidade Parental: Desculpe sr. guarda, não sabia, como não havia mais nenhum sítio onde parar achei que era aqui que se podia estacionar.
Agente da autoridade: pode estacionar, é um parque de estacionamento, não pode é demorar. Já aqui está há meia hora. Ainda por cima tem o selo do seguro caducado.
Entidade Parental: Olhe não sabia, não sou eu quem costuma andar com a viatura. (toca de procurar os documentos actuais.)

O polícia espera e nós desesperamos porque o papel não aparece.
Agente da autoridade: A diferença agora é entre pagar 30€ ou 500€ de multa.
Entidade Parental: (glup!!!)

Telefonema da Entidade Parental 1 (presente no T2) para a entidade parental 2 (na cama a dormir!):
Entidade Parental 1: Olha queres pagar 30 ou 500€ de multa?(bastante delicado e simpático, salva-se a objectividade)
Entidade Parental 2: (se bem conheço já não dormiu nem mais 1 seg. nessa manhã!)
Entidade Parental 1: Tens o selo do carro caducado.
Entidade Parental 2: (já se levantou e já anda tipo barata tonta pela casa.)
Entidade Parental 1: Está em casa? Mas sabes, no carro é que isso faz falta! (obrigado, capitão óbvio!)
Entidade Parental 2: (de certeza que amaldiçoou ter cabeça de alho chocho)
Entidade Parental 1: Olha agora vamos lá ver no que isto dá. Até já.

De volta ao polícia:
Agente da autoridade: Para onde vai agora?
Entidade Parental 1: Para casa sr. guarda. Vim só deixar o meu filho aqui.
Agente da autoridade: Então siga lá com calma e rectifique esta situação.

Mala fora da bagageira. Despedida apressada e toca a andar que já nos livrámos de boa.

Volto a entrar no T2. Lá está a companhia para a viagem: bonita como sempre, friorenta e gelada como é normal.

Direcção: Checkin. Uma fila pequena mas duradoura
Bagagem de porão: nenhuma
Bagagem de mão: não cabem na estrutura que indica as dimensões máximas (mas passaram!).
Cartões de embarque na mão. Não há lugares marcados e pertencemos ao grupo B de acesso ao avião.

Next stop: Detector de metais
Fiscal: Coloque todos os pertences no cesto por favor. Sr. tem líquidos aí?
Eu: sim (acho que a minha bexiga também já se queixa do mesmo!)
Fiscal: Tire da mala e coloque também no cesto s.f.f..
Eu: (esta malta é mesmo paranóica!)
Cangalhada fora da mala, o detector não apita. Tudo arrumado e inspecção passada com distinção.

Conclusão: deixaram passar uma lâmina de barbear para dentro do avião! Paranóicos mas pouco atentos.

Vai um cafézinho? Ok (que seria deste mundo sem café? na volta ninguém se sentava a conversar!).Para mim um suminho de maça.

Porta de embarque: grande manada de gente numa fila desorganizada.

Lentamente passamos, tudo em ordem, siga para o autocarro da groundforce. Autocarro à pinha, só mexem os olhinhos, pelo menos até o condutor decidir radicalizar a sua condução. Curva à direita e a maralha toda a cair para a esquerda.

Bem chocalhados chegamos ao destino: avião da Easyjet, modelo... hum, tinha asas, motores e voava. Má opção de posicionamento no autocarro, somos quase os últimos a sair de lá e a chegar ao avião.

No topo da escada nova confirmação de bilhete e a parceira de voo fica retida. A mala excede as dimensões máximas da bagagem de mão. Bolas foi preciso chegar ao 4 controlo para se aperceberem do malão que ela trazia.
Esgueiro-me para arranjar 2 lugares.

Instalo os meus pertences e olho apreensivamente para a assistente de bordo espanhola e a sua refém. Finalmente liberta-a mas de má vontade, afinal de contas foram menos 18€ para o patronato.
A ex-refém instala-se ao meu lado e resmunga por os lugares serem ao lado da asa.

Umas placas na extremidade das asas mexem, devem ser os flaps (nos filmes é sempre o que chamam às coisas das asas que mexem!).

O piloto faz a sua primeira comunicação com os passageiros. Palavras de cortesia a que ninguém presta grande atenção.
Agora é a vez da assistente de bordo, a carcereira. Inglês macarrónico e mecanizado praticamente imperceptível, do qual apenas percebi que ela se chamava Maria.
Agora uma gravação de tradução para português. Voz suave e pausada.

Em seguida assistimos à já tradicional dança dos assistentes de bordo ao som de Maria. Bem coreografada, não muito síncrone mas efectivamente bela.

O pássaro mecânico já mexe e dirige-se para a pista. Faz agora parte de uma filinha pirilau de aviões prontos a levantar:
- um Sata... levanta
... aterra um TAP.
- um TAP... levanta
- Agora nós. A máquina acelera vigorosamente, levanta as rodinhas do chão e já está. Descolámos em direcção a este.
- a filinha atrás continua: um TAP, outro TAP e finalmente um PGA.

Espreitamos pela janela, agora com "imagens do google earth" da cidade de Lisboa. Observámos o Tejo, um afluente (que penso ser o Trancão), as salinas, o estuário, a cidade desordenada e algumas praias da margem sul (do deserto portanto!).

2ª intervenção macarrónica da Maria:
Maria: ... (hã?o quê?)... (Ah ok, é qualquer coisa a ver com a comida.)
Estava certo, aí vêm os carrinhos repletos de iguarias bem vulgares a preços muito invulgares.
O João Pestana aparece de soslaio e os ouvidos estalam de descontentamento; a ex-refém agarra-se às revistas grátis.

Os assistentes de bordo, quais formigas num carreiro, andam rapidamente para trás e para a frente. De saco na mão um pede a "basura".
Os ouvidos estalam.

Nova intervenção, desta vez de um colega da Maria, igualmente macarrónica:
Colega da Maria:... comprar... fancas (hã? comprar o quê?)
Calma! Agora ele vai explicar em português ou melhor, vai arranhar qualquer coisa na língua de Camões.
Valeu o esforço e deu para perceber que "fancas" são algo do género de raspadinhas, que naquele caso tinham também um propósito de beneficência (ou não, mas foi o que percebi!).

As formigas agitam-se no seu carreiro e a maralha junta-se-lhe num frenesim de "vontadinha". Os olhos piscam sonolentos.

Maria de novo agarrada ao microfone (bolas, ninguém vai dormir neste voo!):
Maria: ... gift shop... "toyis" for the little ones... "acept" Euros... thank you very much!
Já se vai apanhando alguma coisa, mas de mim se há coisa que não apanham é euros.

O joão pestana não me chama só a mim. Um ombro e braço roubados em troca de um beijo. Não foi mau mas da próxima talvez dê para negociar melhor a quantidade da contrapartida.
Os ouvidos serenam; fecho os olhos.

Nova comunicação do piloto:
Comandante: bla, bla, bla, bla
Importante a reter: aterramos dentro de 30 min. Os olhos voltam a ceder.

Olho para o WC e espero a minha oportunidade de pacificar a bexiga e dar cabo da "vontadinha". Está livre, aqui vou eu.
Um tudo nada apertado... PIM!!! Acende-se a luz de apertar os cintos. Boa, vamos aterrar e eu agarrado à pia.
Bexiga satisfeita dirijo-me ao lugar. Lugar ao lado vazio, há mais alguém que foi apanhado com as calças na mão pelo PIM!!!

Instalo-me, aperto o cinto e preparo-me para avistar a ilha. A coleguinha de voo chega.
Os meus ouvidos começam novamente a rezingar, ou seja, estamos a descer e bem.
As formigas aumentam o ritmo e ultimam pormenores.

Ilha à vista. Passamos por cima da Ponta de S. Lourenço, mais ou menos em direcção à baía do Funchal. Uma voltinha e estamos alinhados para aterrar.
Entretanto já tivemos o prazer de ver o aeroporto do Funchal e a sua magnífica proximidade com o mar.
Os ouvidos também aumentam o ritmo.

O pássaro até aqui tão sereno agita-se; as asas abanam, a cauda abana, todo ele oscila. A voltinha revela-se preocupantemente atribulada e pouco reconfortante dadas as condições da pista.
Agora já em direcção ao aeroporto a agitação diminui, mas o frio na barriga não.

A ave atira-se à pista, não há formigas no carreiro, toca no chão, os ouvidos estalam, sente-se uma forte e brusca travagem, o avião abranda até que se imobiliza completamente. A multidão aliviada sorri (pelo menos falo por mim!).

O comandante agradece a nossa preferência pela sua companhia aérea e deseja-nos uma boa estadia.
A maralha agradece ao comandante, ao piloto, à Maria, ao pássaro, aos colegas da Maria, a todos menos ao vento que não quis colaborar com o sossego da viagem.
Os meus ouvidos amaldiçoam-me.

Aguardamos um pouco para que uma parte da turba abandone a gentil ave que nos transportou; recolhemos os tarecos; cumprimentamos a Maria; descemos a escada e pisamos o magnífico solo madeirense, terra de Sua Alteza Dr. Alberto João Jardim.

O sol queima-nos a cara e aquece-nos o corpo; sol não falta, veremos o que mais tem esta ilha para oferecer!